sexta-feira, 17 de abril de 2015

Bom fim de semana...


Música dos "HMB feat. Enoque" - (Tema: NAPTEL XULIMA)

Da pressão...

Professores condenados a sete anos de cadeia por inflacionarem notas dos alunos 

Comentário: Bem... Uma situação bastante invulgar e que se ocorresse em Portugal colocaria em dificuldades muitas escolas privadas e muitos professores que lecionam cursos vocacionais e profissionais. A base do problema não anda muito longe do que acontece aqui em Portugal, e transcrevo parte da notícia para que compreendam melhor:

Nota: negritos e sublinhados de minha autoria.

"(...) Embora o tribunal tenha notado que os alunos foram as vítimas do esquema - muitos deles não estavam preparadas para frequentar os graus a que depois tiveram acesso e ficaram sujeitos a repetir anos, às vezes dois ou três seguidos - os próprios sentenciados, de certa forma, podem ser considerados vítimas. Com efeito, a lei conhecida como No Child Left Behind (Nenhuma Criança Deixada para Trás), do presidente George W. Bush, reforçou os testes estandardizados e criou uma obrigação de as escolas apresentarem resultados positivos, sob pena de perderem fundos federais

No caso da Geórgia, as sanções iam mais longe, pois, se as escolas falhassem, os seus responsáveis seriam demitidos. Assim, havia todo o incentivo para aldrabar o sistema, em especial em zonas desfavorecidas onde dificilmente os estudantes poderiam obter o aproveitamento necessário. Muitos professores começaram a fornecer as respostas durante os exames, ou a falsificá-los depois de entregues.(...)"

Obviamente que as consequências do insucesso em Portugal não são tão graves, mas também têm implicações no "financiamento" horário das escolas e agrupamentos. E não estarei a mentir quando afirmo que de uma forma ou de outra todos nós já sentimos pressão para inflacionar classificações (nem que seja, para atribuir o mínimo para a conclusão).

Enfim

O que espera os alunos no próximo ano 

Comentário: Mais uma vez Santana Castilho não perdoa, afirmando que Nuno Crato será "o pior ministro da Educação da era da democracia" e dando-nos um retrato profundamente negativo (porventura realista, mas cuja descrição é capaz de retirar o sorriso do professor mais otimista) do estado da educação em Portugal.

Nada de novo... Mas que de tão recorrente, começa a cansar. Não pela descrição, mas pelo simples facto de que nada melhora ao longo dos anos, muito pelo contrário.

Curiosamente...

...um dos poucos ex-ministros que posso afirmar não guardar más recordações.

Morreu Mariano Gago, antigo ministro da Ciência e Ensino Superior 

quinta-feira, 16 de abril de 2015

A Confap e o PET

A propósito desta notícia...

É evidente que nada salvaguarda melhor a escola PÚBLICA que:

a) submeter crianças e jovens a testes diagnósticos feito por entidades PRIVADAS;
b) obrigar  crianças e jovens a fazer testes que não terão qualquer impacto na sua avaliação interna ou externa (no final de um ano letivo, altura em que deveriam estar focados na realização de testes “a sério”);
c) obrigar crianças e jovens a perder duas manhãs e/ou duas tardes a fazer um teste escrito e uma prova oral;
d) obrigar professores de crianças e jovens a faltarem às suas próprias aulas para fazerem formação, vigilâncias e, previsivelmente, realizarem sessões orais noutras escolas;
e) levar as escolas de crianças e jovens a gastar recursos materiais escassos.


Isto para nem mencionar a evidente mais-valia que constitui para o contribuinte português custear as deslocações em serviço dos professores das crianças e jovens.
Oh well... 

Greve de zelo...

Professores das AEC sem receber desde janeiro deixam de dar aulas 

Comentário: Vários colegas que lecionam Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC) encontram-se sem receber o seu ordenado desde dezembro do ano passado, tendo entrado por isso em greve de zelo. De acordo com o MEC, "as transferências das verbas para as entidades promotoras já foram efetuadas exceto para as entidades que ainda não entregaram todos os documentos exigidos". Certo é que temos colegas que já não recebem há uns bons meses e, qualquer que seja o ângulo em que seja feita uma análise, estamos perante uma situação insustentável e que deveria ser alvo de outro tipo de atenção.

Estivessem médicos sem receber desde dezembro do ano passado e tenho a certeza que a situação seria tratada de outra forma, e certamente resolvida.

O PET em números

Quase 2400 professores envolvidos no teste de Cambridge

Falta de certificação de docentes pode atrasar orais nos testes Cambridge

Comentário: Se dos quase 2400 professores envolvidos neste processo, 1500 já concluíram a formação podemos tecer algumas considerações relativas à "força" dos professores quando se deparam com uma situação de clara e inequívoca exploração. E tudo se torna mais difícil de digerir quando sabemos que associada a esta formação está a desconfiança de uma entidade privada estrangeira relativamente à formação dos professores portugueses. 

Infelizmente a contestação virtual quase nunca tem equivalência na realidade.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Fazer omoletes...com os ovos dos demais - PET

Divulgado a pedido de uma professora de Inglês, também ela apanhada na teia do PET.


"De todos os artigos que li, nenhum considerei abrangente (mea culpa – talvez não tenha procurado o suficiente…). Assim sendo e porque a temática me é cara, surgiu a indómita vontade de sobre ela opinar…
Para uma visão global desta problemática, há que explanar três vertentes que embora se correlacionem, cada uma per se constituiria argumento de peso para contestar a arbitrariedade com que tal “fardo” foi e está a ser imposto:
1.     O envolvimento dos professores de Inglês;
2.     O público-alvo (alunos de 9º Ano);
3.     A instituição Escola.
1.     No que respeita aos professores de Inglês.
·         Os docentes são obrigados a realizar formação;
·         Não bastando o supra mencionado, têm que se submeter a uma avaliação por parte da instituição Cambridge, o que em si constitui um descrédito face às habilitações académicas e profissionais reconhecidas pelo estado Português;
·         Se não somos idóneos, qual a razão de nos afectarem a tal tarefa?
·         Porque não mobilizarem os seus próprios formadores?
·         Ao invés, se é necessária uma certificação, qual a razão de não ser aberta a todos os voluntários (com tantos desempregados) que para tal se dispusessem, independentemente das suas qualificações/habilitações se as nossas, pelos vistos, de nada servem?
·         O Estado está a disponibilizar mão-de-obra a uma entidade privada (não nacional), o que implica horas extra e não remuneradas para os visados. Em todos os outros países, este trabalho é pago e exercido em regime de voluntariado.
·         Quer para a formação, quer para as posteriores tarefas, os professores envolvidos têm que faltar nas suas escolas, mas suas turmas, aos seus alunos. De acordo com as normas vigentes, cada docente pode ser escalonado para realizar de quatro a seis momentos de avaliação oral, tendo cada uma deles a duração de uma manhã ou tarde.
·         Os supra citados momentos de avaliação oral implicam sempre a deslocação dos avaliadores a estabelecimentos de ensino onde não leccionam, apenas tendo direito a ajudas de custo se o trajecto (só ida) for superior a 20 Kms. Não só farão horas extra e não remuneradas, como serão onerados com despesas acrescidas de deslocação.
·         Os avaliadores da componente escrita, para tal incumbência, terão que aceder a uma plataforma online. Estamos, mais uma vez, a falar de horas extra de trabalho de casa, com o consequente decréscimo de tempo para dedicar às tarefas oficiais e já tão lesada vida privada.
2.     Público-alvo (alunos de 9º Ano).
·         Para além dos exames obrigatórios de Português e Matemática a que os alunos de 9º ano terão que se submeter, é mais uma prova, que em nada conta para a sua classificação oficial final;
·         Apesar da obrigatoriedade, só terão direito ao respectivo certificado mediante o pagamento de 25€;
·         Ver-se-ão privados de dois turnos de aulas (algumas das quais só têm uma vez por semana) para a realização das várias componentes da prova (escrita e oral).
·         Os testes têm uma orgânica completamente diferente da que estão habituados e podem eventualmente implicar o cancelamento de momentos de avaliação anteriormente calendarizados, sendo por vezes impossível a sua remarcação sem se sobrepor a outras avaliações, o que é altamente indesejável;
·         À volta desta questão, alguém (entenda-se editoras), está desde já a tentar potenciar o seu negócio, com a publicação de manuais destinados à preparação dos alunos para este tipo de exames, que os próprios professores de inglês desconhecem, dado o seu secretismo e uma vez que deles não podem ser vigilantes. Pergunto-me: se são assim tão secretos, sendo proibida a sua divulgação, como é que as editoras a eles têm acesso? Se tal não é indício de jogadas mercantilistas… negociatas… cada um que tire as suas conclusões…
·         Fará algum sentido os professores prepararem os seus alunos para este tipo de exames em detrimento do programa oficial que têm para cumprir?
·         É uma certificação extemporânea, dado que no seu percurso escolar a frequência da disciplina de inglês é obrigatória no mínimo até ao décimo-primeiro ano, altura em que a proficiência dos alunos será superior ao nível que nesta fase se venha a certificar.
3.     A instituição Escola no seu todo também não fica incólume face a este processo:
·         Não haverá aulas aquando da realização da prova oral, pois à semelhança de um exame nacional, mão pode haver mais de quinze alunos por sala, sendo cada uma delas vigiada por dois professores, fora os suplentes, que têm que ser convocados e estar de prevenção;
·         O supra citado lesa os restantes alunos de outros anos, muitos deles sujeitos a exames nacionais e com testes marcados para esse dia, implicando igualmente a intervenção de outros professores de outras disciplinas, muitos deles a trabalhar horas extra, não pagas;
·         Para além dos professores vigilantes, há também que constituir um secretariado de exames, com regras ainda mais restritivas que as vigentes;
·         A Escola é responsável pela produção de pautas em duplicado, quer para a prova escrita, quer para a oral, (na escola onde leciono, isto significa a impressão de 1156 pautas) sendo-lhe totalmente imputado o custo de consumíveis.
Em termos de custos, é só fazer as contas aos milhares de professores envolvidos e respectivas horas dedicadas a este projecto, para se apurar a verba com que o Governo presenteou esta entidade privada (o Cambridge) e o lucro que vai ter, só pela mão-de-obra gratuita e forçada que lhe é atribuída. A troco de quê? … cada um que tire as suas conclusões.
Notas:
Após ter escrito o presente texto, deixou de ser obrigatória a certificação dos professores de Inglês. No entanto, tal constituiria uma obrigação, não tivesse a tutela entretanto corrigido a sua posição face às evidências do enorme erro que cometeria, sob pena de ser parte activa no descrédito do ensino oficial em Portugal."


O presente artigo não observa intencionalmente as regras do novo acordo ortográfico.


Margarida Martins

Alteração ao Código do Trabalho (Lei 7/2009)

Foi publicada ontem em Diário da República, a Lei n.º 28/2015 que altera o Código de Trabalho, nomeadamente no que concerne ao seu artigo 24.º que passa a ter a seguinte redação:


É sempre bonito ver escrito aquilo que no fundamental não é respeitado...

terça-feira, 14 de abril de 2015

Sugestão...

...para início de uma abordagem ao tema bullying.


Música de "David Carreira" - (Tema: Rien à Envier)

Apostar no vazio

Passos realça o que foi feito na Educação e diz que é preciso continuar essa aposta 

Comentário: O atual Primeiro-Ministro elogia as "maravilhas reformistas" promovidas pelo seu Governo e que em pouco ou nada diferiram dos antecessores. No essencial, foram ampliados (a um nível próximo da insustentabilidade) os cortes orçamentais, fomentou-se um ainda maior decréscimo da qualidade possível (com a "novidade" vocacional), a tendência de perda da autoridade docente não foi invertida e, mais uma vez, implementaram um reforma (com especial ênfase, para as metas curriculares) que cessará com a eleição de um governo de cor política diferente.

Infelizmente, a educação é uma área que sofre profundas mudanças a cada mudança governamental, não se mantendo aquilo que aparenta funcionar (sim... porque seria necessário mais tempo para avaliar a eficácia de uma mudança) e introduzindo-se novidades vindas de uma realidade diferente (e onde, muitas vezes, nem sequer se fazem adaptações). E o pior... Estas "experiências" aparecem desfasadas no tempo, e por norma, já foram abandonadas na origem.

Enfim... Faltam alternativas, e acima de tudo, esperança em melhorias efetivas (não confundir com melhorias "cosméticas" ou  "manipuladas").

Da dificuldade

Maria de Lurdes Rodrigues defende regresso das Novas Oportunidades 

Comentário: Bem... É com tremendo esforço (nem imaginam quanto) que escrevo estas palavras, mas (e por mais que todas as moléculas do meu organismo apontem noutro sentido) não consigo escrever que esta senhora está completamente errada no que diz. Mas como a rejeição a sugestões desta senhora é visceral não me irei esticar no meu comentário para ver se consigo dormir descansado.